terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Estão sobrando vagas (gratuitas) para cursos técnicos?

Enviado por Ancelmo Gois - 07.02.2012 - 13:00 h

Pesquisa de Marcelo Neri, da FGV, com o Senai mostra que 69% dos brasileiros sem educação profissional não estão nesta condição por falta de cursos, mas por desinteresse.
Dos que começaram um curso e largaram, 55% também alegaram perda de interesse.

Sérgio Gaudêncio Portela de Melo

A pesquisa apresentada acima pode parecer absurda, mas é a pura e a dura realidade!

Muito se comenta hoje sobre o "Apagão de Mão-de-Obra" no Brasil decorrente da falta de oportunidades e de vagas para a formação e qualificação profissional. Ledo engano!!! Os exemplos e experiências com o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego) - Programa do Governo Federal para a oferta não só gratuita, mas com ajuda de custo para os alunos provenientes de escolas públicas e para os beneficiários do Bolsa Família e do Seguro Desemprego - vêm confirmando a afirmação de que não existe interesse, pelo menos em boa parcela dos jovens brasileiros, na formação e qualificação profissional. As vagas oferecidas não conseguem ser preenchidas. Estão sobrando!! E há muita dificuldade em ocupá-las.

Penso em duas explicações para o lamentável fenômeno: a acomodação ou a falta de confiança em si próprio. Cidadãos que não querem encarar novos desafios, novas aprendizagens e novos empregos em detrimento do seu status quo, por insegurança ou por preguiça.

O trem está passando carregado de perspectivas e esperanças!. Pena que muita gente ainda não acordou para essa nova e, talvez, rara oportunidade.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Triste história de um Professor


Porto Alegre (RS), 16 de julho de 2011

Caro Juremir (CORREIO DO POVO/POA/RS)

Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre , onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e, talvez, “pela entrada do inverno”, resolveu também ir á aula uma daquelas “alunas-turista” que aparecem vez por outra para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos. Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos.

Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava de bastante atenção de todos, toca o celular da aluna, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender' e que o Colégio é um local aonde se vai para estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria mais com ela.

Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, sua mãe ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretoria da Escola.

Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil!... Isso mesmo!... tive que comparecer no dia 13/07/11, na 8.ª (oitava Delegacia de Polícia de Porto Alegre) para prestar esclarecimentos por ter constrangido (“?”) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta as aulas e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores'. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo!... Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil.

Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com frequência temas relacionados à educação, ''te peço, encarecidamente, que dediques umas linhas a respeito da violência que é perpetrada contra os professores neste país''.

Triste história de um Professor 2

Fica cristalina a visão de que, neste país:

Ø NÃO PRECISAMOS DE PROFESSORES

Ø NÃO PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO

Ø AFINAL, PARA QUE SER UM PAÍS DE 1° MUNDO SE ESTÁ BOM ASSIM

Alguns exemplos atuais:

· Ronaldinho Gaúcho: R$ 1.400.000,00 por mês. Homenageado pela “Academia Brasileira de Letras"...

· Tiririca: R$ 36.000,00 por mês. Membro da “Comissão de Educação e Cultura do Congresso"...

TRADUZINDO: SÓ O SALÁRIO DO PALHAÇO, PAGA 30 PROFESSORES. PARA AQUELES QUE ACHAM QUE EDUCAÇÃO NÃO É IMPORTANTE:CONTRATE O TIRIRICA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO.

Um funcionário da empresa Sadia (nada contra) ganha hoje o mesmo salário de um “ACT” ou um professor iniciante, levando em consideração que, para trabalhar na empresa você precisa ter só o fundamental, ou seja, de que adianta estudar, fazer pós e mestrado? Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00… Moral da história: Os professores ganham pouco, porque “só servem para nos ensinar coisas inúteis” como: ler, escrever, pensar,formar cidadãos produtivos, etc., etc., etc....

SUGESTÃO: Mudar a grade curricular das escolas, que passariam a ter as seguintes matérias:

Ø Educação Física: Futebol;

Ø Música: Sertaneja, Pagode, Axé;

Ø História: Grandes Personagens da Corrupção Brasileira; Biografia dos Heróis do Big Brother; Evolução do Pensamento

das "Celebridades"

Ø História da Arte: De Carla Perez a Faustão;

Ø Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanha;

Ø Cálculo: Percentual de Comissões e Propinas;

Ø Português e Literatura: ?... Para quê ?...

Ø Biologia, Física e Química: Excluídas por excesso de complexidade.

Está bom assim? ... eu quero mais!...

ESSE É O NOSSO BRASIL ...

Vejam o absurdo dos salários no Rio de Janeiro (o que não é diferente do resto do Brasil)

Ø BOPE - R$ 2.260,00....................... para ........ Arriscar a vida;

Ø Bombeiro - R$ 960,00.....................para ........ Salvar vidas;

Ø Professor - R$ 728,00.....................para ........ Preparar para a vida;

Ø Médico - R$ 1.260,00......................para ........ Manter a vida;

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Ovo ou os Políticos?

Sérgio Gaudêncio Portela de Melo

Você está tranquilamente dirigindo rumo ao shopping quando é surpreendido por uma lata vazia de refrigerante atingindo o parabrisa do seu carro. Chega e encontra um estacionamento quase lotado. Dá várias voltas até encontrar uma vaga, mesmo distante. Caminha até a entrada e percebe uma vaga exclusiva para idosos e deficientes físicos ser ocupada por um jovem totalmente saudável. Dirige-se à lotérica para tentar a sorte na Mega-Sena. Espera pacientemente a sua vez numa imensa fila até ser "ultrapassado" por outro sem qualquer explicação.
Infelizmente vivenciamos, no dia-a-dia, cenas e situações como essas. Não se trata de ficção. É a mais pura realidade.
E outras mais como: jogar lixos nas ruas; tentar sempre levar vantagem sobre outros; pedir e (pior) dar atestado médico para justificar a falta ao trabalho estando em perfeitas condições de saúde; tratar de forma diferenciada pacientes, alunos e clientes dependendo da situação financeira ou se o hospital, colégio, faculdade ou instituição é particular ou pública; trabalhar com desídia; agredir uma pessoa que sequer conhece, simplesmente porque ele não torce pelo mesmo time que o seu.
São muitas e muitas situações em que encontramos hábitos e costumes lamentáveis.
Ao lermos os jornais ou assistirmos aos noticiários da TV, somos bombardeados com notícias de corrupção envolvendo agentes públicos. Os políticos são os que mais ilustram as manchetes.
Acostumamo-nos a conviver com a desonestidade sem sequer nos apercebermos de que ela existe em cada gesto ou atitude como as mencionadas acima. Comentar sobre um pacote ou uma cueca cheia de dinheiro como pagamento de benesses e favores administrativos ou políticos, é algo comum nas conversas existentes nos bares e salões. Em muitas ocasiões são comentários vindos dessas mesmas pessoas que deixam de ministrar aulas numa escola pública para não faltar ao compromisso na escola privada. São comentários feitos por médicos que passam dois minutos no atendimento a pacientes em hospitais públicos enquanto destinam uma hora para o atendimento dos pacientes em suas clínicas particulares. São comentários de indignação bradados por pessoas, em perfeito estado físico e mental, que pedem e dão atestados médicos para justificar a falta ao emprego. São comentários enojados de pessoas que furam fila, ocupam vagas destinadas aos idosos e portadores de necessidades especiais e trocam o seu voto por uma centena de tijolos.
A expressão “Rabo Preso” diz-se de quem não pode julgar outrem por também ter culpa no cartório.
A honestidade é um valor integral, inteiro e não divisível. Não conheço ninguém que seja meio-honesto. Não é a quantia subtraída no roubo que vai mensurar o grau de desonestidade. Talvez até o seu motivo e objetivo, mas nunca a sua intensidade.
Dizer que se trata de falta de educação ou que é algo cultural, é muito pouco para explicar a falha de caráter, de integridade moral e de respeito ao próximo e às leis.
Situações assim são protagonizadas, em boa parte, por pessoas que tiveram estrutura familiar e não passaram dificuldades na vida. Não foram vítimas da sociedade. São algozes da sociedade.
Tiveram um lar, mas nunca tiveram vergonha na cara!
Parodiando o célebre questionamento sobre quem primeiro nasceu se foi o ovo ou a galinha, pergunto: são os políticos quem nos devem dar o exemplo ou somos nós quem devemos dar o exemplo aos políticos?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pleno emprego traz desafio ao setor produtivo

PARADIGMAS Mercado de trabalho mudou. Suape atrai trabalhadores e empresários se desdobram para manter pessoal

Adriana Guarda
adrianaguarda@jc.com.br


Josuel Oliveira não entendia nada sobre sistemas elétricos. Estava acostumado à dinâmica do varejo, onde trabalhava como caixa de supermercado. Foi ouvindo a conversa de seu pai sobre as oportunidades em Suape, que se interessou pelo complexo. Conseguiu uma vaga de ajudante de eletricista da Odebrecht na obra da PetroquímicaSuape. Migrou do comércio para a construção civil, com ganho de salário, benefícios e perspectiva de crescimento profissional.
A história desse jovem de 20 anos, que comemora seu segundo emprego com carteira assinada, é parte do novo cenário do mercado de trabalho na Região Metropolitana do Recife (RMR). Para o empregado o momento é único: recorde de emprego, ganho salarial, melhoria da renda e perspectiva de consumo. Do lado das empresas, o desafio é enfrentar as dores do pleno emprego. Guerra desenfreada por profissionais, investimento em qualificação e alta rotatividade são agora as regras do jogo.
Na teoria econômica, se configura o pleno emprego quando as taxas de desocupação estão baixas e praticamente todas as pessoas em idade produtiva estão trabalhando. Na última Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada pelo IBGE, a taxa de desemprego na RMR em novembro de 2011 foi de 5,5%. O percentual é o menor registrado na série histórica realizada desde 2002. O maior índice tinha sido registrado em 2005, quando alcançou 13,9% (veja arte abaixo).
A diminuição do desemprego foi motivada pelo grande número de empreendimentos em implantação no Grande Recife, tendo o Complexo de Suape como o principal indutor dessa transformação. O efeito negativo é a fuga de funcionários para os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho. Os empresários reclamam de ter seus colaboradores “abduzidos” por Suape. O empresário do Extrabom, Rodolfo Borba, diz que a meta da rede de supermercados é reter 15% dos funcionários. “A rotatividade está tão grande que vamos adotar política para garantir a permanência, principalmente nos cargos de gerência e outros mais estratégicos”, diz, resignado.
A construção civil, responsável por içar o PIB e a geração de empregos no Estado, é o setor que promove a maior dança de cadeiras, atraindo profissionais de menor escolaridade dos segmentos de turismo, comércio, serviços e sucroalcooleiro. A canibalização também acontece dentro da própria atividade com fluxo migratório de uma obra para outra. A taxa média anual de aumento da geração de emprego na construção é de 23,7%.
“Se eu não tenho trabalhador aqui, vou buscar no quintal do vizinho. Isso é um movimento normal num cenário de pleno emprego, mas que a gente não percebia aqui porque antes o Grande Recife amargava altas taxas de desemprego”, analisa o sócio-diretor da Ceplan Consultoria, Jorge Jatobá, apontando para uma mudança de paradigma. Os empresários reclamam da falta de comprometimento dos trabalhadores, dizendo que impera a lei do “quem dá mais”.
Empresários do setor de TI se queixam de perder equipes inteiras para as empresas de Suape. Na maioria das vezes são profissionais formados na casa e que vão embora. O técnico em TI Tiago Sena da Silva, de 30 anos, deixou a empresa onde trabalhava como analista há 4 anos para aceitar uma vaga de técnico na obra da PetroquímicaSuape. “Estou num cargo menor, mas meu salário aumentou 40% e tenho benefícios como plano de saúde e participação nos lucros.”
Nem o Senai, formador de mão de obra para o setor produtivo, escapou da canibalização. O diretor regional, Sérgio Gaudêncio, conta que entre 2010 e 2011 a instituição perdeu 44 professores e colaboradores para o mercado. “É difícil concorrer com os grandes empreendimentos de Suape, que oferece melhores salários e benefícios.” Em 2009, o Senai fez uma revisão do plano de cargos e carreiras e da política salarial e vai repetir a iniciativa este ano. “As empresas deveriam evitar atrair gente da nossa equipe, sob pena de comprometer a qualificação de seus próprios funcionários que é feita por nós”, completa. Hoje, o quadro do Senai é de 550 professores.
Aluno formado pelo Senai, Jean Gomes de Souza, de 33 anos, cedeu ao chamamento do mercado. Depois de 15 anos de docência, deixou a instituição para ocupar uma vaga de coordenador técnico no setor de treinamento no Consórcio Conest (responsável por parte da obra da Refinaria Abreu e Lima). “Meu salário quase dobrou e as perspectivas se expandiram. Aqui estou dentro da atividade prática”, comemora, sem remorso pela troca.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Vai Deixar SauHADDAD, Ministro!

Sérgio Gaudêncio Portela de Melo

Tive a honra e o privilégio de testemunhar e compartilhar todo o trabalho desenvolvido pelo Ministro da Educação, Fernando Haddad, desde a época em que era Secretário Executivo do então Ministro Tarso Genro.
Ainda Secretário, lembro-me do dia em que, após pedir permissão, entrou na sala em que ocorria uma reunião com os Diretores Gerais de todos os antigos CEFET do país, para apresentar uma idéia que tivera e para saber o que achávamos dela. Tratava-se da criação do PROEJA (Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos). A proposta era que os CEFET passassem a oferecer o programa que iria possibilitar que jovens e adultos com mais de 18 anos de baixa renda e que estivessem fora de sala de aula por muito tempo, pudessem retornar às atividades acadêmicas por meio de um curso de Ensino Médio integrado ao curto técnico. Diante de inúmeros desafios já demandados pela sociedade e pelo Ministério, ficamos um tanto reticentes com a proposta. Teríamos condições de assumir mais um programa?
Com um forte poder de convencimento e argumentação que lhe é peculiar, o então Secretário Executivo, deixou a sala com o nosso compromisso de implantarmos o programa nas instituições que dirigíamos.
Após alguns meses, Tarso Genro deixa o MEC para assumir a presidência do PT e acorda com o presidente Lula que Fernando Haddad seria o seu substituto.
Mesmo sem possuir um passado ligado à política partidária, Haddad foi conquistando, pouco a pouco, seu espaço dentro do Governo e dentro da sociedade.
Sempre determinado em mudar a educação do Brasil, adotou o lema de que “todos os níveis e modalidades de ensino são igualmente importantes e os investimentos devem contemplar essa igualdade”.
Desde que assumiu a pasta, Haddad demonstrou ser um empreendedor nato, um visionário de um dinamismo invejável e um articulador irrepreensível. Com essas qualidades, transformou a educação do nosso país com projetos e programas inovadores e desafiadores.
Idealizou e implantou Programas como: o PROEJA; a UaB (Universidade Aberta do Brasil); o e-Tec (Ensino Técnico a Distância); a consolidação do FUNDEB (Fundo Nacional da Educação Básica); o Brasil Profissionalizado; o “Mulheres Mil”; o PROUNI; a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia; o REUNI; o Brasil Alfabetizado; a Rede CertiFIC; o FIES; o PNDL (Programa Nacional de Avaliação de Livros Didáticos); o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia; o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos; o acordo de gratuidade com o Sistema S.
Existem ainda alguns outros, porém quero me ater a discernir sobre o tão polêmico Novo ENEM.
O Novo ENEM não se resume a um programa de avaliação e seleção unificada para postulantes ao Ensino Superior. Tampouco é apenas um instrumento de avaliação das instituições de Ensino Médio. O que, por si só, já não seria pouco diante da fragilidade e da incoerência do antigo e arcaico sistema.
Trata-se, sim, de uma grande revolução na forma e na metodologia do ensino no Brasil. Não se ensina mais a decorar nem a compor musiquinhas para lembrar das regras e das fórmulas. Busca-se o discernimento, a compreensão e criticidade dos jovens. Segundo a Reitora do IFRS, professora Cláudia Shiedeck, “Treinamos alunos para resolver questões objetivas e não para desenvolver raciocínio lógico.
Trabalhamos com informações, mas não fazemos nossos alunos produzirem conhecimento, o que é muito diferente. O novo Enem traz as duas coisas: a cobrança das informações, essencial, e uma nova formatação. Não se cobrará somente uma fórmula, mas o que esse aluno pode fazer com ela”.
Óbvio que não podemos nos esquecer dos problemas ocorridos na aplicação do exame, porém foram problemas de ordem operacional e não de ordem conceitual. A implantação de um gigantesco programa como o Novo ENEM requer tempo para ajustes. Assim aconteceu com os grandes inventos e descobertas da história da humanidade. Assim acontece em tudo o que fazemos pela primeira vez. Para andar com segurança tivemos que cair por diversas vezes. Além disso, quantos interesses ou interessados torcem e trabalham para o insucesso do Exame? Quantos e quanto deixam de ganhar com ele?
Fernando Haddad foi brilhante na condução do Ministério da Educação. Orgulho-me de ter trabalhado, mesmo distante, ao seu lado. Presenciei avanços que qualquer brasileiro jamais imaginaria. Aprendi com a sua ousadia, inteligência, dinamismo, competência, habilidade e persistência.
E, definitivamente, constatei que só a educação pode transformar vidas, histórias e nações.
Boa sorte ao competente Mercadante, mas, com o perdão da ousadia, a Educação no Brasil sentirá saudade do Ministro Haddad.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Tecnologia favorece ou atrapalha a interação?

Na maior feira de tecnologia de Educação do planeta, NOVA ESCOLA conferiu um mundo de recursos novos. Mas as novidades da informática estariam roubando o precioso tempo de contato entre aluno e professor?

Paola Gentile (pagentile@abril.com.br)


Todos os anos, professores, gestores e entusiastas da tecnologia em Educação voltam seus olhos para os lançamentos da Bett Show. Realizado num enorme centro de eventos em Londres, na Grã-Bretanha, o evento é uma das maiores feiras mundiais sobre o tema. Estive por lá entre os dias 11 e 14 de janeiro, acompanhando as últimas novidades da tecnologia em sala de aula.

Não há como não voltar deslumbrada com todos os aplicativos, softwares e hardwares desenvolvidos com o objetivo de facilitar a aprendizagem. Jogos em todas as disciplinas fazem a festa das crianças - e também dos professores que acham que esse é o caminho para "motivar" os alunos. Imagens em 3D revelam o corpo humano e dos animais e a estrutura dos demais seres vivos e levam as turmas para um estudo de campo de ecossistemas como o fundo do mar e uma caverna - tudo sem sair da sala de aula.
Mas um ponto polêmico - não colocado abertamente durante as discussões na Bett2012, mas deixado no ar - diz respeito ao fator interação quando a tecnologia invade a sala de aula.

Alguns professores têm usado a tecnologia para se aproximar das turmas, como Emma Chandler, professora de Estudos Sociais da Emerson Park School, em Londres. Ela usa o Twitter para se comunicar com os alunos justamente por ter percebido que era a ferramenta predileta de comunicação entre eles. Manda de três a quatro mensagens por aula, com o plano de aula do dia, questões simples para verificar o conhecimento sobre determinado conteúdo e notícias relacionadas ao tema. "Os mais tímidos passaram a se comunicar mais comigo", afirmou ela, que ainda coordenou um texto coletivo para o jornal da escola cujos trechos eram enviados pela rede social. O trabalho em grupo, portanto, foi intermediado pela ferramenta, com pouco contato direto entre os colegas.

O uso de animações em 3D, em que todas as informações são facilmente acessadas e visualizadas com perfeição e realismo, praticamente prescinde da presença do educador para a compreensão do conteúdo. Estudo realizado em sete países entre outubro de 2010 e maio de 2011, por pesquisadores da Universidade de Londres, comparou o rendimento de duas categorias de estudantes. Os que estavam nas turmas em que o professor usou 3D para ensinar corpo humano melhoraram suas notas em 86% (contra os 52% registrados no grupo de controle, que só usou ferramentas em 2D), apreenderam as informações em menos tempo, lembravam de mais detalhes e davam respostas mais elaboradas em questões abertas. E o papel do professor, nesse caso, foi apenas disponibilizar o acesso à ferramenta e fazer a avaliação.

Steve Bunce, consultor em tecnologia da Educação do Reino Unido, está convicto de que a saída para esse dilema é o educador se tornar um questionador: "Em vez de explicar o conteúdo, ele vai criar as perguntas sobre o mundo real e os problemas globais para serem respondidas pelos alunos, que, por sua vez, com a tecnologia, podem ir sozinhos atrás das informações e trazer as soluções. É assim que se educa cidadãos com autonomia para aprender."

E você, o que acha disso?