terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Os Desafios para a Formação de Mão-de-Obra Qualificada em Pernambuco

Sérgio Gaudêncio Portela de Melo


Até o ano de 1817, Pernambuco se constituía numa das maiores províncias territoriais do Brasil com 278.000 quilômetros quadrados.

O Estado abraçava, ao sul, a faixa litorânea que hoje delimita Sergipe e Alagoas e se prolongava até a Paraíba. Tinha a si incorporada boa parte da região do São Francisco. À oeste, estendia-se pelo sertão até a atual divisa entre Bahia, Minas Gerais e Goiás, a menos de 200 Km de Brasília.1

Era uma das mais ricas regiões do país! Aos poucos dividia a força da sua riqueza, antes quase que exclusivamente proveniente da cana-de-açúcar com a cultura do algodão, cada vez mais crescente no sertão da província.

Por se insurgir contra o Império, que cobrara impostos e taxas na ordem de 32% de toda a arrecadação da província para sustentar a corte de D. João VI no Rio de Janeiro, centro político e administrativo do Brasil-Império, perdeu, depois da Revolução de 1817, por retaliação política à proclamação de Pernambuco como república independente, boa parte do seu território, do qual foi subtraída a província de Alagoas da sua jurisdição.

Em 1824, apenas sete anos depois, na proclamação da Confederação do Equador, revolta também de tendência separatista e republicana, que surgiu em virtude do juramento que o imperador D. Pedro I fizera, e não cumprira, em favor da consolidação de uma monarquia constitucional, Pernambuco, mais uma vez, foi vilipendiado, desta feita com a perda de 60% do seu território, o que correspondia à área da antiga Comarca de São Francisco, transferida provisoriamente para Minas Gerais e hoje pertencente à Bahia.

Perdeu, ao todo, 179.689 quilômetros quadrados do seu território ficando com, apenas, 98.311 quilômetros quadrados.

Ao longo da história, porém, Pernambuco não perdeu apenas área territorial. Perdeu, também, a atenção, o prestígio e a riqueza que tinha no passado.

Hoje, quase duzentos anos depois, Pernambuco vem se recuperando e parece estar resgatando a dívida que a história, a ousadia e a coragem lhe impuseram.

Diante de um cenário extremamente otimista, o estado em dezembro de 2011 atingiu o menor percentual de desemprego de sua longa história. Apenas 6% dos pernambucanos encontram-se desempregados. Um número para fazer inveja a qualquer país da Europa.

As indústrias, cada vez mais distribuídas pelo território, demandam, cada vez mais, profissionais qualificados para os postos de trabalho. Fala-se muito em “Apagão de Mão-de-Obra”. Eu diria que não estávamos preparados para uma verdadeira avalanche de empreendimentos em tão pouco tempo. Há 10 anos, nem o mais otimista dos homens poderia imaginar algo parecido.

Correndo contra o tempo, as instituições de educação profissional de Pernambuco espremem suas estruturas para atender às empresas, ao governo e aos pernambucanos. O SENAI-PE, por exemplo, projeta para 2012 um aumento de 56% no número de matrículas comparado com 2011. O mais importante é integrar esforços para contribuir com o desenvolvimento econômico sem esquecer, jamais, de atrelá-lo ao desenvolvimento social.

Porém, pela inesperada velocidade dos fatos, as dificuldades e as responsabilidades dessas instituições formadoras remetem a desafios reais, quais sejam:

  1. Com o considerável aumento do número de alunos é necessário, também, um considerável aumento número de professores para atendê-los. Muitos profissionais docentes foram contratados por empresas que aqui se instalaram. Apesar do Governo do Estado, através da Secretaria do Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo, iniciar um programa para a formação de professores para as áreas de interesse da indústria de petróleo e gás, o Qualipetro, que prevê a formação de 200 docentes, o quadro ainda é preocupante.
  2. A diversidade e o ineditismo, para a nossa região, dos empreendimentos que vêm se instalando em Pernambuco motivam um esforço redobrado para encontrar profissionais que possam ministrar cursos nessas novas áreas industriais como a automotiva, a naval, a de petróleo e gás e a de hemoderivados, entre outras.
  3. A crescente e constante demanda das empresas e prefeituras nas diversas regiões do estado por profissionais qualificados torna-se maior do que a capacidade instalada das instituições formadoras. Apesar de existirem planos de expansão do Instituto Federal de Pernambuco e do Sertão Pernambucano (9 novos campi, além dos 14 hoje existentes), do SENAI (4 novas escolas, além das 10 hoje existentes) e das Escolas Técnicas estaduais (43 novas escolas, além das 14 hoje existentes).
  4. O aumento de escolaridade para os jovens e adultos é essencial para o ingresso no Mundo do Trabalho. As estatísticas mostram que em 1985, 49,27% dos que tinham o nível Fundamental Incompleto ocupavam os postos de trabalho. Em 2010 esse percentual despencou para 19,36%. No mesmo período, os trabalhadores com o Ensino Médio completo saíram de 23,39% para 41,78% na ocupação dos empregos. É bom ressaltar que esses índices acompanham o cenário também do país. Evidencia-se a urgente necessidade de se possibilitar o aumento da escolaridade para viabilizar as oportunidades aos cidadãos que almejam a empregabilidade.
  5. Por fim, porém não menos importante, destaco a questão dos investimentos em qualificação e formação profissional. A aplicação de investimentos públicos agoniza com o excesso de burocracia e de exigências que a legislação submete aos processos de contratação de bens e serviços, convênios e parcerias para a viabilização e para a garantia da qualidade e agilidade ao atendimento às demandas surgidas. No que concerne aos investimentos privados, convivemos ainda com o ceticismo e com a questão cultural das empresas, com poucas exceções, que não priorizam a destinação de recursos para a formação profissional dos seus trabalhadores, tampouco dos pretendentes às novas vagas. A Europa nos traz exemplos muito bem sucedidos de íntimas parcerias entre as instituições de ensino e o mundo produtivo, onde se aprende, dentro das fábricas, o exercício da profissão.

Os desafios, aqui postos, podem ser difíceis, mas precisam ser vencidos! Certamente, a união de esforços de todos os segmentos econômicos, políticos, educacionais e sociais contribuirá para grandes conquistas que garantirão a Pernambuco o resgate do seu posto como estado de vanguarda da história e do desenvolvimento do Brasil.

1 Laurentino Gomes, 1822, p. 225-227

Frases sobre Educação

Fonte: pensador.uol.com.br

"A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida."

John Dewey

"A educação de um povo pode ser julgada, antes de mais nada, pelo comportamento que ele mostra na rua. Onde encontrares falta de educação nas ruas, encontrarás o mesmo nas casas."

Edmondo Amicis

"Educação é aquilo que fica depois que você esquece o que a escola ensinou."

Albert Einstein

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A “Velhinha de Taubaté” em Pernambuco

Sérgio Gaudêncio Portela de Melo

Voltemos dez anos de nossas vidas e avaliemos as expectativas que tínhamos a respeito do desenvolvimento econômico e social do Brasil e, em especial, de Pernambuco.
Diriam os mais conservadores e pessimistas que nossos filhos encontrariam um cenário lúgubre e decadente. Um cenário de miséria, violência e desemprego.
Os mais otimistas, “as Velhinhas de Taubaté” (em referência à personagem sempre sonhadora por um país melhor criada pelo mestre Luiz Fernando Veríssimo nos idos da ditadura militar), diriam que o Brasil seria o país do futuro que tudo mudaria para melhor.
Pernambuco, em 2010, apresentou um crescimento do PIB de 15,78%, mais que o dobro da média de crescimento nacional do mesmo ano, que ficou em 7,5%. Ao mesmo tempo, a taxa média de desemprego na Região Metropolitana do Recife se manteve em declínio nesses seis últimos anos, passando de 19,2%, em 2009, para 16,2%, em 2010. Os indicadores educacionais apontam um quadro de melhoras no IDEB e uma redução na taxa de analfabetismo. Os índices de violência caem a cada mês, apesar de, ainda, assustadores.
Enfim, o que hoje presenciamos muitos não poderiam prever há dez anos.
Esse novo cenário vem sendo gerado pelos constantes investimentos, principalmente (mas não somente), em Suape. Obras gigantescas como a Transnordestina e a transposição do Rio São Francisco completam a monumental paisagem do nosso futuro.
A cada dia novas indústrias vêm aqui se hospedar. Geram empregos, melhoram a qualidade de vida da nossa população reescrevem a nossa história.
Fala-se muito na falta de mão de obra qualificada para atender às imensas demandas vindas do grande número de empreendimentos industriais que em nosso estado se instalam.
A escassez dessa mão de obra não é fruto da insuficiência quantitativa ou de ações qualitativas das instituições de formação profissional no estado. É conseqüência da velocidade com que novos empreendimentos aqui chegam e da diversidade dos perfis profissionais necessários às indústrias com características inéditas para Pernambuco (Refinaria, estaleiros e montadoras de automóveis).
O SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e o IFPE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco) trazem, nas suas longas histórias de serviços prestados à sociedade, capítulos de inquestionável sucesso. Entretanto, tudo aconteceu e vem acontecendo num ímpeto imprevisível e inesperado. Apesar disso, o crescimento e o empenho dessas instituições são notáveis. A elas unem-se as 60 escolas técnicas estaduais previstas para até 2014, entre as quais 16 já se encontram em funcionamento. A visionária atuação do Governo do Estado, além da construção de novas escolas técnicas, consolida-se com a criação da Secretaria do Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo, cuja principal missão é estruturar e organizar todo o processo de oferta x demanda de capacitação, qualificação e formação profissional no estado.
O Governo Federal anunciou a construção de mais 7 novos campi do IFPE.
O SENAI-PE prevê investimentos de expansão na ordem de R$ 100 milhões com a construção de, pelo menos, três novas escolas e ampliação de outras três.
O PRONATEC (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego), criado em Lei sancionada na semana passada pela Presidenta Dilma Roussef, prevê a capacitação de 8 milhões de pessoas no Brasil até 2014. O programa garante o acesso gratuito (financiado pelo Governo Federal) às escolas da rede federal, do SENAI e do SENAC com o atendimento aos alunos do ensino médio (até o segundo ano) da escolas estaduais e ao público do Bolsa Família e beneficiários do Seguro Desemprego.
De 2011
Foi-se, portanto, o tempo do isolamento e da acomodação.
Todos devemos estar unidos para prover o nosso estado das condições necessárias ao seu desenvolvimento sustentável.
Não há mais volta!!
Em breve ocuparemos novamente o espaço que infelizmente perdemos no pódio dos mais importantes e desenvolvidos estados no nosso país (que também se impõe perante o mundo).
Deixemos renascer a “Velhinha de Taubaté” que existe em nós, afinal foi ela que nos permitiu acreditar que um dia conseguiríamos.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

E-Tec terá pólos no interior e nas periferias urbanas

Portal MEC, 12/07/2007 - Brasília DF

Até 2010, as secretarias de Educação a Distância (Seed) e Profissional e Tecnológica (Setec) devem implantar cerca de mil pólos das escolas técnicas profissionalizantes, por meio do programa E-Tec Brasil. A informação foi dada pelo secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, nesta quinta-feira, 12, no encontro com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), em Brasília. O E-Tec Brasil visa democratizar o acesso ao ensino técnico público, levando cursos às regiões distantes e para a periferia das grandes cidades. Os objetivos são incentivar os jovens a concluir o ensino médio e criar uma rede nacional de escolas de ensino médio profissionalizante, na
modalidade a distância. Durante a reunião, Bielschowsky solicitou que dirigentes da Undime trabalhem junto às secretarias de educação dos estados para estabelecer políticas estratégicas e um referencial geográfico para montar os pólos do E-Tec Brasil. "Um pólo de educação a distância é muito caro e muitas vezes é inviável implantar milhares de pólos Brasil afora. Nos próximos editais vamos considerar as características de distribuição regional", diz o secretário. Em 2008, o Ministério da Educação deverá inaugurar 250 pólos e capacitar 50 mil profissionais para atuar nas áreas de interesse. Podem participar do edital, escolas públicas municipais e estaduais, escolas agrotécnicas e do
Distrito Federal. Elas devem enviar propostas de infra-estrutura para receber cursos de educação a distância. O envio das propostas será em duas etapas: até 19 de agosto, escolas e instituições de ensino técnico farão a pré-inscrição, com dados de identificação; e 15 de setembro é o prazo final para mandar as propostas de adequação das escolas públicas e dos cursos a serem oferecidos pelas instituições de ensino técnico. Já as propostas de criação dos cursos deverão ser apresentadas por instituições públicas que já ministram cursos de ensino técnico de nível médio, como universidades, centros de educação tecnológica, faculdades de tecnologia, escolas técnicas e escolas agrotécnicas.

O E-Tec Brasil é como o MEC está demoniando o projeto de Educação Profissional a Distância, que está com edital aberto até 30 de agosto/2007. Segue anexo arquivo contendo um levantamento feito pela Secretaria de Ciência, Tecnologoa e Meio Ambiente das Instituições Federais e Estaduais de Pernambuco que submeterão projetos de cursos ao Edital.
O CEFET-PE, através do NTEAD-Núcleo de Tecnologia Educacional e Educação a Distância, até o dia 11/07, data limite para envio de propostas pelas coordenações do CEFET-PE, 5 propostas de cursos serem submetidos ao edital. A partir de agora iremos tratalhar na elaboração dos planos de cursos com metodologia para o ensno a distância.

CEFET-PE

Informática
Técnico em Informática com ênfase em Manutenção de Computador e Periféricos
Mecânica
Técnico em Mecânica com ênfase em Manutenção Automotiva
Meio Ambiente
Técnico em Energia Renovável com ênfase em Energia Eólica e Solar
Saúde
Técnico em Segurança do Trabalho
Gestão
Técnico em Gestão da Informação com habilitação em arquivos de gestão, médicos e históricos.

terça-feira, 10 de julho de 2007

O Despertar do Gigante

Folha de São Paulo, 09/07/2007 - São Paulo SP

Priorizar a educação, por isso mesmo, implica o uso intensivo da tecnologia. Muitas nações estão se modernizando assim RICARDO KNOEPFELMACHER O GIGANTE adormecido despertou. A educação no Brasil passou a ser olhada como prioridade. Hoje, a sociedade está mobilizada pelo compromisso com a educação. Conta com a participação do governo, dos empresários, de lideranças políticas e sociais. Mas ainda é necessário envolver nessa grande cruzada a maioria dos cidadãos. Por séculos, o Brasil embalou o sonho do "país do futuro", tão bem descrito pelo filósofo e escritor austríaco Stefan Zweig, que aqui viveu no século passado. Seu relato mostra a exuberância e a opulência de uma nação que possuía tudo de que necessitava. Todavia, o que era virtude tornou-se problema. O gigante deixou-se acorrentar a pés de barro, dividido entre a volúpia das riquezas naturais e os grilhões da ignorância. Mas Deus, dizem, nasceu aqui. O Brasil vive mais uma vez um momento ímpar para mudar sua trajetória rumo ao desenvolvimento, à redução das desigualdades e ao atendimento das demandas sociais. Desde 2005, quando nasceu o movimento conhecido como Compromisso Todos pela Educação, uma iniciativa que uniu a sociedade civil, o setor privado e os gestores públicos, o país começou uma revolução: atribuiu status à educação, tornando-a prioridade, incluída, enfim, na agenda nacional. O Compromisso Todos pela Educação, capitaneado pelo empresário Jorge Gerdau, nasceu com a missão de democratizar o acesso à educação para todas as crianças e jovens. O movimento, incorporado pelo governo federal, prevê que toda criança de sete a 14 anos esteja na escola; que toda criança de oito anos saiba ler e escrever; que todo aluno aprenda o que é apropriado para a sua série; que todo aluno conclua o ensino fundamental e o médio e que o investimento em educação básica no país seja, no mínimo, equivalente a 5% do Produto Interno Bruto. Pode-se assegurar sem erro que metade desse dever de casa foi realizado nos últimos anos: 94% das crianças em idade escolar estão matriculadas na primeira série, segundo pesquisa do IBGE de 2005. O resultado final do Censo Escolar de 2006 do Ministério da Educação informa que 55,9 milhões de pessoas estão matriculadas nas diferentes etapas e modalidades de ensino da educação básica. O mais difícil, portanto, já está feito. Não obstante as conquistas, o desafio agora é fazer a outra metade, como assinala a empresária Viviane Senna. É preciso realizar tudo isso com qualidade. Essa é a questão. As crianças e jovens conseguem chegar à escola, mas saem de lá sem saber o que tinham de saber. Outros desistem pelo caminho. São marginalizados. Resta-lhes a convivência com a violência e o crime. É preciso assegurar a permanência de nossas crianças e jovens na escola, rompendo os laços com a ignorância e o atraso. O que se busca é o sistemático investimento na qualidade do nosso capital humano e, sobretudo, formar cidadãos. O bom funcionamento de uma escola requer infra-estrutura adequada, boas instalações, bibliotecas, computadores e, principalmente, professores bem preparados e bons gestores na direção. É aí que o setor de telecomunicações pode fazer a diferença. A internet é o pilar central da sociedade da informação, e a telecomunicação, uma ferramenta indispensável para formar e treinar o capital humano. Priorizar a educação, por isso mesmo, implica o uso intensivo da tecnologia. Muitas nações estão se modernizando assim. Transformam suas economias e aumentam o bem-estar de suas populações. É o caso do Chile, da Coréia e até de países desenvolvidos, como o Reino Unido, que se apóiam na tecnologia da informação para promover o desenvolvimento. Essa deve ser também a nossa opção. A infra-estrutura brasileira em telecomunicações é das melhores do mundo. O setor investiu nos últimos oito anos mais de R$ 160 bilhões. Interligou o país e universalizou a telefonia, hoje presente nos mais longínquos rincões. Na internet, o Brasil é líder da América do Sul. É isso que enseja a possibilidade de promover a grande revolução na educação em um país continental como o nosso. Esse é o roteiro para a construção do novo Brasil e para encurtar a distância entre o presente e o futuro. Estamos certos de que investir em educação com o apoio das telecomunicações pode transformar mais rapidamente o gigante de pés de barro numa nação que orgulhe os seus cidadãos, com mais justiça social, menos violência e mais oportunidades. RICARDO KNOEPFELMACHER , 41, economista com graduação em gestão internacional pela Universidade de Thunderbird (EUA), é presidente da Brasil Telecom.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Professores e Computadores

Carlos Alberto da Conceição Afonso


Pode-se dizer que a inovação constitui, atualmente, um tema central nas discussões sobre a escola, motivando, como conseqüência, um grande número de trabalhos de investigação em educação.
No interior das fronteiras físicas da escola, alunos e professores não encontram o dinamismo e a abertura à mudança que, quando o faz, coloca-os, muitas vezes, ao serviço de uma lógica tradicional de atuação, como reação homeostática de um sistema que não deseja a mudança e que, na ânsia de manter o equilíbrio, resiste, devido a condicionalismos que, deterministicamente considerados como existindo um momento anterior, não se acha apta a resolver, nem julga que é esse o seu papel.
A nossa é uma época em que a informação, por exemplo, se dissemina da tal maneira que não se limita já a ir atrás dos acontecimentos - e que potencialidades se lhe descobrem nessa sua faceta, com a cobertura em direito de acontecimentos cruciais para vida de todos nós...-, mas que, muitas vezes, está na origem do desencadear de muitos desses acontecimentos, dando voz a aspirações sociais que nela encontram um aliado cada vez mais influente.
As novas tecnologias da informação, particularmente o computador, constituem um desses “novos inventos”, “novos” instrumentos tecnológicos. Espera-se uma ação pedagógica que crie expectativa, porventura demasiadamente otimistas e melhores resultados na aprendizagem; uma contribuição à homogeneização desses resultados; a possibilidade de “trazer a vida” para a sala de aula. Ao computador se comete a missão de transformar a escola, como se isso fosse possível, apenas pela simples adição de um novo elemento numa engrenagem trituradora que depressa reagirá homeostaticamente se não houver a preocupação por uma abordagem global.
Num contexto em que abundam os trabalhos sobre a introdução da inovação na escola, são raros os que se preocupam por analisar o que, de fato, muda com essa introdução, ou os que, tendo esta preocupação, esquecem a outra face da moeda e passam por cima daquilo que, no fundo, permanece igual. Nesta perspectiva, encarar-se a mudança proposta pela introdução do computador na escola como intrinsecamente “boa”, à qual reagem os professores, considerados como os “vilões” na epopéia das novas tecnologias, e que são, assim, “encostados à parede”.
Também o contexto organizacional e institucional que enquadra a atuação dos professores é frequentemente esquecida. É o universo cultural dos professores está na gênese das suas representações, cujas, funções e conseqüências compõem o seu universo pedagógico, pelo que a participação daqueles em muitas propostas supostamente inovadoras.
Por outro lado, a falta de uma lógica de integração das novas propostas em projetos educativos coletivos, da responsabilidade das próprias escolas, que as enquadrem e lhes dêem sentindo q que articulem objetivos, limitações e recursos, provoca nos professores uma atitude defensiva e de refúgio no conhecido e nos territórios que, supostamente, se dominam. Quando os problemas da prática se resumem a problemas meramente instrumentais, a lógica de aspecto específica e avulso do sistema de ensino substitui uma outra lógica: a do desenvolvimento pessoal e profissional dos próprios professores. Não basta, portanto, mudar o professor; “é preciso mudar também os contextos em que ele intervém” como acentua Nódoa (1992, p. 26).
Uma proposta de mudança tem, assim, mais possibilidade de sucesso se tiver em conta, não só, aquilo que os professores são, aquilo que fazem e aquilo que pensam na busca permanente de consensos e de harmonia entre o sistema inovador e o sistema pré-existente, mas, também, a par conseqüência, se eleger como nível privilegiado de intervenção o estabelecimento de ensino.
Procuramos estabelecer uma ligação entre as questões que dizem respeito à implementação das inovações educativas, processar o que consideramos complexo e motivo de concepção, que nem sempre coincidem, da parte dos diversos atores sociais implicados.
Parte-se do princípio, que as razões que poderão determinar o impacto, relativamente reduzido de muitas inovações educativas, começam num conceito contraditório do próprio termo – inovação – entendido de forma diferente por vários autores, instituições e atores sociais.
Mas a distância dos discursos à prática nem sempre se transpõe com facilidade que se imagina.
É por isso que, para o estudo de uma determinada inovação, será necessário levar em linha de conta todos os elementos que podem condicionar a sua implementação, através de um processo que recorra a uma abordagem global de fenômeno educativo nos seus múltiplos componentes. Estar-se ainda longe do sonho de Papert, de transformação progressiva e global da escola.
O grande objetivo desde estudo é, assim, o de determinar qual o impacto dos Centros Escolares Minerva ao Nível global da escola e, especificamente, no grupo de professores a que dedicamos mais atenção. Paralelamente, procuramos identificar os elementos que se constituem condicionantes dos níveis de impacto verificados, bem assim como as perspectiva que se abrem à criação de condições que podem fazer do computador um instrumento mobilizador de verdadeiros movimentos de inovações centrados na escola.

A Inovação Educativa E O Computador: Em Busca De Uma Relação Significativa

No contexto organizacional e institucional que caracteriza o subsistema de ensino em Portugal, que faz parte de um exo-sistema político-societal, por definição mais vasto e complexo, na tentativa de implementação da inovação, a qualquer nível, e da sua apropriação efetiva pelas estruturas e atores envolvidos no terreno prático de aplicação, quase nunca corresponde aos objetivos e expectativas que estiveram na sua origem.
Definição de inovação, à luz daquilo que é defendido por vários autores, procurando mostrar as contradições existentes na utilização do conceito, as quais, na nossa perspectiva, conduzem a diversas clivagens entre aquilo que pretendem os chamados “agentes inovadores” e o entendimento que é feito pelos potenciais “ adaptantes” da inovação.
Tendo por base, de forma implícita ou explicita, a utilização de critérios prévios, alguns investigadores tentam o enquadramento da inovação educativa em categorias distintas, que variam de acordo com o critério utilizado.
E Satre utiliza o critério dos objetivos da inovação, para considerar como conservadora, reformista moderada, reformista avançada, revolucionária moderada, revolucionária avançada ou niilista, conforme o grau de transformação a operar, o que pode ir da manutenção de um determinado status quo até ruptura absoluta.
Para a UNESCO, a inovação é uma “mudança internacional destinada a melhorar um sistema educativo”.
Ducros e Finkelsztein definem inovação escolar como “uma tentativa para transformar, no sentido de melhorar, aspectos precisos do sistema escolar, do funcionamento de um estabelecimento, ou da prática pedagógica de certos professores”.

Às clivagens conseqüentes

As contradições implícitas nesta panorâmica que acabamos de referir, começam pela oposição, que muitos autores consideram pertinente, entre inovação por outro lado, e mudanças, por outro.
Os atores sociais, em si, tomados como a entidade que vivem num estado mais ou menos ignorante, qual “terreno bruto” para quem a mudança será uma “ modificação ou um enriquecimento do conhecimentos (...)” (Ardoino, 1980. p. 142).
Nesse caso, a inovação consistiria na passagem de um grau de conhecimento mais vulgar a um estado mais sofisticado, mais especializado, o que pressuporia a necessidade de uma formação didática e escolar.

A inovação no terreno: modelos, estratégias e papel dos atores sociais

Os modelos de funcionamento das inovações são, geralmente, concebidos de forma idealística, sem ter em conta os vários constrangimentos de tipo institucional, organizacional e individual do terreno de aplicação e dos atores que nele evoluem.
É nesse sentido que Canário afirma: “o êxito ou o fracasso da inovação é função de condições favoráveis ou desfavoráveis a três níveis diferentes: o quadro institucional exterior à escola (...), o quadro institucional da escola e o nível individual dos utilizadores da inovação” (Canário, 1987, p. 120.).
Para o estudo do impacto das inovações educativas, partimos, portanto, do pressuposto da existência de três níveis de análise, que é preciso ter em conta – o institucional, exterior à escola; o organizacional, próprio da escola; e o individual, que diz respeito aos atores sociais, envolvidos nos níveis anteriores.

O quadro institucional do sistema educativo e inovação como legitimação

É nesta perspectiva que alguns autores falam de mandatos do sistema educativo, querendo, com isso, significar os grandes objetivos que a educação deve concretizar – seja como contribuição ideológica a um sistema de organização política da sociedade, como contributo econômico às necessidades da sociedade ou como legitimação das características reprodutoras de condicionalismo social (cf. Stoer, Dale, stolefoff e Correia ou Iribarne, 1989).
Como resultado destes conflitos, surge a constatação de que a escola, enquanto lado visível a palpável deste quadro, aparentemente exterior, não consegue responder às expectativas que nela depositam os vários atores sociais: seja porque se considera a sua eficácia como insuficiência de um determinado modo de produção; porque os agentes educativos se queixam de turmas sobrecarregadas, da degradação do seu estatuto, da penúria de recursos; porque os alunos reagem negativamente à forte seleção de que são alvos, como resultados de uma pedagogia do esforço, feita de punições e de prêmios; porque os investigadores constatam um modo de funcionamento baseado na repetição e na transmissão de conhecimento.
As circunstâncias, seja na promessa de adaptar a escola às exigências do mundo do trabalho, seja nas tomadas de posição ideológico – igualitárias, as quais, por contraste, não se refletem no terreno, onde um modo de funcionamento desigualitário subsiste.
Para a explicação desta contradição têm sido, ao longo dos tempos, avançadas várias teorias.
A do “handicap intelectual” procura explicar as diferenças de resultados escolares como naturais, face às diferenças de “dons” e de “aptidões” das crianças, o que, segundo alguns autores, (Gilly, 1989, p.367.) serve para “dar boa consciência ao sistema sem que sejam postas em causa as suas estruturas fundamentais e o seu funcionamento geral”.
Mas alguns biólogos (Ramuz, 1974, Jacquard, 1982, referidos em Gilly, 1989) demonstram que não há nenhum determinismo genético absoluto e que, portanto, as diferenças individuais não podem ficar a dever a diferenças de “dons” - surge, assim, a tese do “hand-cap sócio-cultural”, que explica essas diferenças por variáveis devidas ao meio.
A escola está, portanto, sujeita a mudanças – por pressões sociais, econômicas, tecnológicas.
A inovação assume, assim, a maioria das vezes, o papel de “legitimação” do discurso educativo dominante, como chavão para estreitar relações escola-vida ativa (...)” (Correia, Stoleroff e Stoer), como um discurso de modernidade que acaba por não ter conseqüências práticas, uma vez que a inovação verdadeira – aquela que não se limita a melhorar o funcionamento de um sistema, mas que propõe a ruptura com esse sistema.
A escola, local concreto onde evoluem alunos, professores e funcionários, subsistema de um quadro institucional “exterior”, “materializada, inscrita no espaço, reverenciável pelos seus representantes e respectiva hierarquia (...)”.
A escola, no entanto, não pode ser confinada a um espaço entre quatro paredes, com fronteiras físicas bem determinadas. Por um lado, ela é a tradução visível de um quadro institucional que enquadra o seu funcionamento, como já referimos; por outro lado, faz parte de uma comunidade, estando, portanto, integrada num “milieu”, com o qual mantém níveis de relação mais ou menos abertos e institucionais e em que os alunos são a própria comunidade dentro de si.
É, por um lado, a noção de “totalidade organizacional”, acima referida, que permite desmontar as visões determinísticas que afirma nada se poder fazer para mudar a escola, uma vez que as condições em que ela funciona têm origem em momentos anteriores e exteriores, ou as perspectivas naturalistas, que aceitam como imutáveis essas condições (Canário, 1989). Por outro lado, a concepção de escola como “sistema de comportamentos” deixa entrever a possibilidade de os atores sociais que nela evoluem não se limitarem a ser meros executores de políticas educativas definidas previamente, mas, pelo contrário, a possuírem uma determinada margem de manobra que lhes permitem adaptar e/ou modificar as propostas que lhe são feitas de acordo com as condições objetivas que vivem no interior da escola.

Estratégias de implementação da inovação – papel do “centro” e da “periferia”

A escola é, geralmente, apontada como uma instituição conservadora, pouco interessada na inovação e na mudança. É esta constatação que serve de base aos que argumentam não poder ser a escola a gerar a inovação dentro de si mesma.
Este é, quase sempre, o resultado das estratégias de implantação das inovações conhecidas como “político-administrativas” que pretendem, simplesmente, impor a inovação do exterior, ou “empírico-racionais”, que partem do princípio que é possível convencer os potenciais adaptadores das vantagens da inovação proposta.
De fato, a inovação é, quase sempre, um processo conflitante, cuja introdução na escola “põe em jogo um processo micro político de negociações, de interdependências, de coligações efêmeras e de acordos tácitos (...)” (Huberman, cit. Por Ducros e Finkelsztein, p. 84). Inovar, assim, como dizem Ducros e Finkelsztein, “quer dizer negociar” (id. p. 85) .

As aspirações, necessidades e preocupações dos utilizadores individuais: que grau de compatibilidade?

Consideram os autores que o mais importante não é constatar a existência de “efeitos perversos” (como faz Boudon, 1977) nas políticas e nas ações humanas, quando a prática não corresponde aos pressupostos teóricos que a deveriam orientar; mais importante “é compreender como e porque os atores sociais envolvidos se apropriam e inflectem as políticas de que são os supostos objetos ou instrumentos” (Perrenoud e Montandon, 1988, pp. 20-21).
É por isso que os professores, face a proposta supostamente inovadoras, se sentem, muitas vezes, encostados à parede, cansados pelas “exigências de múltiplas iniciativas cuja coerência e cuja relação com os seus próprios valores não têm tempo nem energia para verificar”.
Para que os professores não continuem a ser acusados de conservadores e de resistentes à inovação toma-se, pois, necessário verificar até que ponto a inovação proposta é compatível com as suas experiências anteriores.
É por isso que se torna imprescindível não descurar “harmonia do sistema inovador” (Morrish, 1981, p.110) com a cultura da população a quem é dirigido, com os seus sistemas de valores. Antes, portanto, de, apressadamente, se catalogarem os professores de “conservadores” e de “resistentes à mudança”, deve-se adaptar o seu ponto de vista, no sentido de verificar até que ponto a inovação tem, de fato, algum significado para eles.
Na verdade, quando confrontados com um processo de inovação, os atores sociais em presença, procuram, antes de mais, não perturbar a estabilidade e a consistência do seu “milieu”, pelo que procedem à busca da coerência do sistema inovador com o seu próprio sistema de valores, através de um processo de elaboração de representações da situação com que são confrontados.
A falta de informação, no entanto, e por outro lado, provoca um distanciamento sujeito-objeto que leva os atores sociais a mobilizarem uma série de defesas que provocam a elaboração de uma representação do objeto em causa, acentuando ou diminuindo os seus atributos – fenômeno designado por “distorção” (Jodelet, 1989, p. 53) – ou conferindo ao objeto representando atributos que não lhe pertencem – “suplementação” (id.) – ou, pelo contrário, suprimindo atributos que, estes sim, são próprios do objeto – “desfalque” (id.). Este processo ilustra o modo como os quadros de pensamento pré-existentes, os valores e os modelos atribuem conteúdos diferentes ao objeto em causa, consoante o grupo social: “(as representações) apóiam-se em valores variáveis segundo os grupos sociais de onde tiram as suas significações, e em saberes anteriores reativados por uma situação particular (...)” (Jodelet, 1989, p.35).
O processo de formação das representações não é, assim, essencialmente cognitivo, mas tem um componente fortemente simbólico que releva de uma dimensão marcadamente social do seu processo de elaboração. A dimensão social das representações deriva do fato de estas serem determinadas pelo contexto e pelo processo de interação social, emergindo destes a partir de quadros de apreensão da realidade que forma os valores próprios do sujeito ou ator social.
Afirmando que “as representações sociais são o fruto de compromissos contraditórios sob a dupla pressão de fatores ideológicos e de constrangimentos ligados ao funcionamento efetivo do sistema escolar (...)”, Gilly (1989) coloca o debate sobre a importância do estudo das representações no campo educativo, particularmente no aspecto das mudanças inovações numa instituição (a Escola) que está longe de concretizar estas mudanças, tantas vezes anunciadas. Daí que “os indivíduos se apóiem para guiar e justificar os seus comportamentos em sistemas representacionais que privilegiam a maioria das vezes elementos e esquemas de grande inércia” (p.382).
O estudo das representações, atitudes e comportamentos de atores sociais envolvidos parece, assim, assumir uma importância capital quando se fala de inovação educativa, pois o sucesso desta depende da representação que os sujeitos dela fazem, bem como das atitudes que manifestam perante ela, ambos a terem uma tradução sintomática na estratégia adaptada.

O computador na escola: problemática de uma inovação particular

De entre as várias inovações tentadas nos sistemas educativos, as novas tecnologias de informação, em particular o computador, constituem uma das relativamente mais recentes: 1970 é, geralmente, apontando como o ano em que os educadores se começam a preocupar com a questão nomeadamente num seminário promovido pelo CERI, organismo da OCDE, em Sèvres, durante a qual se preparou a I Conferência Mundial da IFIP, Internacional Federation for Information Processing (Felder, 1988).
No entanto, o surgimento do computador na escola, tem sido justificado com base em argumentos diferenciados, que induzem estratégias de implementação e modalidades de utilização que lhes procuram dar respostas e que revelam de uma forma determinada de encará-lo como uma inovação particular.

Pressupostos da introdução na escola

Investigadores, professores, alunos, políticos e outros agentes sociais têm avançado diversas razões que, na sua perspectiva, poderão justificar a entrada do computador da escola.
A perpetuação de determinadas concepções político-sociais, traduzidas numa organização econômica específica, a qual necessita, para assegurar sua reprodução contínua, que a escola desempenhe a sua função seletivo-reprodutora, nomeadamente na preparação dos alunos para a entrada sem sobressaltos no mundo do trabalho – como sugerem os argumentos referentes às necessidades da economia e aos interesses da indústria nacional.

Pressupostos de ordem social

O primeiro é designado de “Social Rationale” que argumenta “devem saber como é que os computadores trabalham e não ter medo deles.”
A escola tem se constituído como veículo transmissor de um forte “handicap” cultural e tecnológico: perante uma juventude que constituirá o motor do progresso e da inovação daqui a vinte anos. Em particular, para evitar a alienação perante este utensílio (computador), trata-se de fazer os jovens adquirir um modelo mental da informática que permitirá utilizá-la e dominá-la para além de sua evolução técnica futura.
Pressuposto de ordem pedagógica
Aqui se pode incluir a modalidade designada como “ferramenta”, como meio de facilitar tarefas a professores e alunos, no processamento de textos, na recolha, análise e sistematização de dados, em simulações. Na Declaração do Congresso de Paris (1989), os participantes reconhecem a “multiplicidade de papéis que as novas tecnologias de informação desempenham, não apenas como utensílio pedagógico, mas como abordagem a novas culturas, autorizando um diálogo concreto no quadro”.
Modalidade de utilização do computador na escola
Nem sempre essas modalidades significam o mesmo para os autores que a elas se referem, razão pela qual a consideração de cada um destes pressupostos dá origem a modalidades diferentes de utilização do computador.Concepção do computador como “máquina de ensinar”.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

A História da Educação no Brasil

Fonte: Wikipédia

A História da Educação no Brasil é o estudo da evolução da Educação, do ensino, da instrução e das práticas pedagógicas no Brasil. Evolui em rupturas marcantes e fáceis de serem observadas. De início, a História da educação brasileira é indissociável da Companhia de Jesus. As negociações de Dom João III, O Piedoso, junto a esta ordem missionária católica pode ser considerado um marco. A História da Educação no Brasil inicia-se no período colonial, quando começam as primeiras relações entre Estado e Educação.
Choque culturais
A primeira grande ruptura travou-se com a chegada mesmo dos portugueses ao território do Novo Mundo. Os portugueses rouxeram ao Brasil um padrão de educação próprio da Europa. Mas, o Brasil possuía características próprias de se fazer educação. A educação que se praticava entre as populações indígenas não tinha as "marcas repressivas" do modelo educacional europeu. A educação no Brasil não teve o mesmo incentivo que nas demais colônias européias na América, como as espanholas. Enquanto na América Hispânica foram fundadas diversas universidades desde 1538 (Universidade de Santo Domingo) e 1551 (Universidade do México, Universidade de Lima), a primeira universidade brasileira só surgiu em 1912 (Universidade Federal do Paraná.
Período Jesuítico (1549-1759)
A educação indígena foi interrompida com a chegada dos jesuítas, em março de 1549 .Comandados pelo Padre Manoel de Nóbrega, quinze dias após a chegada edificaram a primeira escola elementar brasileira, em Salvador. Os jesuítas se dedicaram à pregação da fé católica e ao trabalho educativo. Não conseguiram converter os índios à fé católica sem que soubessem ler e escrever em 1570, já era composta por cinco escolas de instrução elementar (Por Seguro, Ilhéus, São Vicente, Espírito Santo e São Paulo de Piratininga) e três colégios (Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia). Os jesuítas trouxeram somente a moral os costumes e a religiosidade européia; trouxeram também os métodos pedagógicos.
Período Pombalino (1760-1808)
1549 a 1759, quando uma nova ruptura marca a História da Educação no Brasil: a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal. Na época os jesuítas tinham 25 residências, 36 missões e 17 colégios e seminários.A educação brasileira vivenciou uma ruptura histórica num processo já implantado e consolidado como modelo educacional.Os professores geralmente não tinham preparação para a função, que já eram improvisados e mal pagos. Eram nomeados por indicação ou sob concordância de bispos e se tornavam ¨proprietários ¨ vitalícios de suas aulas régias. No princípio do século XIX, a educação brasileira estava reduzida a praticamente nada .
Período Joanino (1808-1821)
A mudança da Família Real, em 1808, permitiu uma nova ruptura com a situação anterior. D.João VI abriu Academias Militares, Escolas de Diretor e Medicina, a biblioteca Real, o Jardim Botânico a Impresa Régia. O surgimento da Imprensa permitiu que os fatos e as idéias fossem divulgados e discutidos no meio da população letrada preparando terreno propício para as questões políticas que permearam o período seguinte da História do Brasil.
Período Imperial (1822-1889)
Em 1826, um Decreto institui quatro graus de instrução:Em 1827 um projeto de lei propõe a criação de pedagogias em todas as cidades e vilas Em 1834, o Ato Adicional á constituição dispõe que as províncias passariam a ser responsáveis pela administração do ensino primário e secundário. Em 1835, surgi a primeira Escola Normal do país, em Niterói (Escola Normal de Niterói). Em 1837, na cidade do Rio de Janeiro, é criado o colégio Pedro II, com o objetivo de se tornar um modelo pedagógico para o curso secundário Por todo império, incluindo D.Pedro I e D.Pedro II, pouco se fez pela educação brasileira e muitos reclamavam de sua qualidade ruim.
República Velha (1889-1929)
A república adotou o modelo político estadunidense baseado no sistema presidencialista. Percebe-se influência da filosofia positiva. A reforma de Benjamin Constant tinha como princípios orientadores a liberdade e laicidade do ensino, como também a gratuidade da escola primária. Estes princípios seguiam a orientação do que estava estipulado na constituição brasileira. Esta Reforma foi bastante criticada: pelos positivistas, já que não respeitava os princípios pedagógicos de Comte. Em 1932 um grupo de educadores lança à nação o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, redigido por Fernando de Azevedo e assinado por outros conceituados educadores da época. Em 1934, a nova constituição(a segunda da República) dispõe, pela primeira vez, que a educação é direito de todos.
Estado Novo(1937-1945)
Mercado tirando do Estado o dever da educação. As conquistas do movimento renovador, influenciando a constituição de 1934, foram enfraquecidas nessa nova constituição de 1937.Em 1942, por iniciativa do Ministro Gustavo Capanema, são reformados alguns ramos do ensino.Estas reformas receberam o nome de Lei Orgânica do Ensino, são compostas por Decretos-Lei que cria Serviços Nacional de Aprendizagem Industrial- Senai e valoriza o insino profissionalizante.O ensino perdeu o caráter propedêutico,de preparatório para o ensino superior.
República Nova (1946-1963)
O fim do Estado Novo consubstanciou-se na adoção de uma Constituição de cunho liberal e democrático. Determina a obrigatoriedade de se cumprir o ensino primário e fez voltar o preceito de que a educação é direito de todos. Ainda em 1946, o então Ministro Raul Leitão da Cunha regulamenta o Ensino Primário e o Ensino Normal, além de criar o serviço Nacional de aprendizagem Comercial -SENAC.
Regime Militar(1964-1985)
O Regime Militar espalhou na educação o caráter antidemocrático de sua proposta ideológica de governo foi criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização MOBRAL, aproveitando-se em sua didática, do expurgado Método Paulo Freire. É o período mais cruel da ditadura militar. Instituída a Lei 5.692, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1971. A característica mais marcante desta Lei era tentar dar a formação educacional um cunho profissionalizante.
Nova República(1986-2003)
No fim do Regime Militar as questões educacionais já haviam perdidos o seu sentido pedagógico e assumido um caráter político. Até os dias de hoje muito tem se mexido no planejamento educacional, mais a educação continua a ter as mesmas características impostas em todos os países do mundo, que é mais o de manter o “status quo”. A Historia da Educação Brasileira tem um princípio, meio e fim bem demarcado e facilmente observável. Ela é feita em marcantes, onde em cada período determinado teve características próprias. Na evolução da Historia da Educação brasileira a próxima ruptura precisaria implantar um modelo que fosse único, atende às necessidades de nossa população e que seja eficaz.